segunda-feira, 14 de maio de 2012
E agora, Maria?
Não sou boa em saber o que fazer das coisas, ou pelo menos não ando sendo. E na atual circunstância, me dou o direito do exagero, principalmente com cansaços, pois já me basta o esgotamento, que seja ao menos o maior do mundo. Mas isso está longe de uma atitude ou de ser uma sábia maneira de lidar. Misturo brilhantemente racionalidade com o emocional, onde o sucesso se apresenta no: nada resolvido. Era tão melhor quando eu pensava toda inconformada "que merda que não fui a woodstock" e essas inconformações eram muito minhas, sem nenhuma consciência, sobretudo. O que aconteceu com minhas roupas que agora são: vai esfriar mais tarde, melhor ir de calça? o abominável jeans? todos os dias. Lembro que antes as coisas tinham o peso do desejo, puro e único e era isso o que eu fazia, carregava aquilo que suportava, mesmo que achasse que não, no fundo eu sabia que aguentava. Hoje elas tem outro peso, e a dificuldade de carregá-las me faz até esquecer o que e para onde carrego, quando vou ver já está tudo ali me dizendo "hum, e aí?" esperando uma definição minha ou uma direção, só que eu nada.
Não são ações de "sim" ou "não", mas saber o que fazer é uma certeza de escolha que não precisa de falas nem discursos, a não ser por veemência: sabe-se, faz-se. Então percebo minha falta de algo que é crucial, que do contrário é assim que a gente fica e assim tenho ficado: do desespero ao pânico ao cansaço. Sinto por não cumprir alguma coisa que nem sei. Que eu tinha a obrigação de estar completa e falta ainda uma parte considerável, além de alguns contornos sem direção definida. Fica difícil admitir isso tudo de mim mesma, o rumo que só posso perguntar "que rumo?" e responder imediatamente, "como você não sabe?!". Dura comigo, sou frágil e me afeta minha consciêcia. Não é questão de exigência, é que sou eu, é comigo o negócio. Fora os momentos de rigorosa reflexão, a gente respira, caminha, come, dorme, acorda e depois tudo outra vez, sem a menor ideia do que fazer das coisas, enquanto todo mundo tem certeza que você está viva.
segunda-feira, 7 de maio de 2012
Sobre você
Não tem pontas, início nem fim. Essa é a concepção mais próxima que se pode dar como explicação, e é mesmo desforme, totalmente desforme. Não tem e não gosta de porquês (ficando eu encarregada das compreensões por dedução), pois se me beija é por alguma coisa nos meus lábios, braços ou pescoço que o atraiu, sem percepção descritiva, como se fosse um animal e seu instinto apenas sendo.
Sem minhas palavras, que eu possa enfeitar uma frase e assim dizer mais do que para alguém mas para mim, sobre o que é isso que eu chamo também de “você”, como se “você” tivesse hoje se transformado em uma única e exclusiva identidade, em todos os “vocês” concentrados em apenas você. E a imagem oscila entre os tempos, seus tempos, tudo num instante agora, dentro de um liquidificador despretensioso mas corajoso com experiências. Assume antecipadamente qualquer tempo e rugas, para nunca alcançarem seus segredos, que talvez nem ele mesmo saiba.
No meu caso, o equívoco ou palavra que se arrume desesperada para “vestir”, são fáceis para presas como eu, ao invés de simplesmente respirar. Procuro sentido na boca dele que me diz em outras palavras, como em línguas afiadas, culinária ou silêncios.
Sem minhas palavras, que eu possa enfeitar uma frase e assim dizer mais do que para alguém mas para mim, sobre o que é isso que eu chamo também de “você”, como se “você” tivesse hoje se transformado em uma única e exclusiva identidade, em todos os “vocês” concentrados em apenas você. E a imagem oscila entre os tempos, seus tempos, tudo num instante agora, dentro de um liquidificador despretensioso mas corajoso com experiências. Assume antecipadamente qualquer tempo e rugas, para nunca alcançarem seus segredos, que talvez nem ele mesmo saiba.
No meu caso, o equívoco ou palavra que se arrume desesperada para “vestir”, são fáceis para presas como eu, ao invés de simplesmente respirar. Procuro sentido na boca dele que me diz em outras palavras, como em línguas afiadas, culinária ou silêncios.
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Avesso do óbvio
A medida de mim é transbordar.
Então, sem pé nem cabeça,
rodo a procura do próprio rabo
me perguntando afinal,
é bom pra quem conseguir ou não se alcançar?
Gerundiando por instinto,
desesperada por falta de lógica que conforte
Quem faz tratos comigo sou eu,
quem esquece tem a mesma cara lavada.
Mas nunca tão óbvio quanto o espelho,
é um não saber o que fazer consigo mesmo
e também desfazendo com as próprias mãos.
Então, sem pé nem cabeça,
rodo a procura do próprio rabo
me perguntando afinal,
é bom pra quem conseguir ou não se alcançar?
Gerundiando por instinto,
desesperada por falta de lógica que conforte
Quem faz tratos comigo sou eu,
quem esquece tem a mesma cara lavada.
Mas nunca tão óbvio quanto o espelho,
é um não saber o que fazer consigo mesmo
e também desfazendo com as próprias mãos.
sábado, 21 de abril de 2012
Lógica
Então vamos falar do turvo. Não. É sobre o bem claro e escuro temperamento. Você admite? Mas é claro, mas não em palavras. Veja bem, sou muito sensível ao que destoa do cheiro e cor do meu mundinho. E você tem total culpa, preenchida pelo descuido quanto a percepção - talvez ela necessite ser apurada. A gente tem preguiça, graças a deus nos permitimos poupar. A gente tem que ter coragem, encha o peito ou faça por puro gosto ao próximo - Não sei se é isso que chamam de equilíbrio, acho que pode ser. E gostar de alguém significa, espante-se, gostar do mundo dela e sobretudo, anote, fazer carinho no mundo dela. Esse gostar é simples, não no sentido de simples, mas é simples: compreende-se porque se gosta, e é bem simples a lógica porque é espontâneo. O esforço também vale como compreensão mas o contrário disso não vale de nada e o ideal mesmo é descartar. Como quem descarta uma objeto, como quem acaricia um pedaço de papel com as palavras dele.
não tem
não tem
terça-feira, 17 de abril de 2012
Desenho de um monstro
Rio, 17 de abril de 2012.
Você,
Tamanho medo que dá de sentir que alcança em mim uma parte que nem eu sabia, sobretudo por não conhecer. Não é o fato de ter alguém, é o fato de ter você. Também não é uma questão de medo exatamente ou talvez seja de um medo bom, como cócegas numa parte sensível de mim, (as vezes torturante).
Mas eu insisto comigo mesma (tenho manina de achar) que a parte "sombria" da vida é mais real e custo a acreditar que coisas boas assim existem. Por isso, me conhecendo e receando sobre as coisas boas, gostaria de controlar a dose certa, manter minhas próprias rédeas, numa cautela que julgo boa para minha própria saúde, me assegurando das tendências naturais, do exagero, impulsividade e outras características de quando gosto de alguém. Mas sentir ainda não é o tipo de coisa que consigo controlar (nesse caso, por sorte?). Afim de concluir algo mais racional e menos emocional, me engano que, em tal circunstância, a segurança de uma lógica ainda fosse possível e fico sem nada ou (apenas) com tudo. Até que me deparo inevitavelmente com"x" da questão, que é o que verdadeiramente importa entre duas pessoas: o que se sente pelo outro, que em mim se afirma no desejo que sinto de você. Isso foge a mim, volta, como consciência indiscreta, foge e volta, num movimento transgressor. E não tem a ver com romantismo, ou talvez tenha um pouco, mas mais ainda com uma realidade escancarada onde muitas vezes se apresenta a mim, numa agradável surpresa de uma lembrança "banal" do dia a dia, por exemplo. Que entre olhares, encontros e "eu ter você", vice e versa, existe uma coisa que eu chamaria de “manusear com os olhos”, num ato que eu poderia afirmar ser tão sensual quanto singelo visto daqui.
Diante de tudo, como marca indiscutível, me afeta em muitas áreas do sentir, fazendo tempestade; seja em metáforas ou com as próprias mãos, mas tudo com uma certa beleza que não posso negar que você me inspira. Contudo, tenho em mim a necessidade de esgotar as coisas, incluindo sentimentos, até agora, que me deparei com outro tipo de inspiração: que ao mesmo tempo se esvai e não quer que acabe. A isso, tenho chamado de amor e de fato amado, experimentado, indiscutivelmente vivido. Portanto, não posso concluir essa carta, para me manter, na medida do possível em certa coerência. Posto que tenho como característica mais forte que eu o esgotamento das minhas questões, uma excessão se destaca, muito mais fora do meu controle. Não vou me empenhar em achar um final para essa carta, pois não tenho pretensão em exaurir o assunto senão desfrutar do que é e vier.
Você,
Tamanho medo que dá de sentir que alcança em mim uma parte que nem eu sabia, sobretudo por não conhecer. Não é o fato de ter alguém, é o fato de ter você. Também não é uma questão de medo exatamente ou talvez seja de um medo bom, como cócegas numa parte sensível de mim, (as vezes torturante).
Mas eu insisto comigo mesma (tenho manina de achar) que a parte "sombria" da vida é mais real e custo a acreditar que coisas boas assim existem. Por isso, me conhecendo e receando sobre as coisas boas, gostaria de controlar a dose certa, manter minhas próprias rédeas, numa cautela que julgo boa para minha própria saúde, me assegurando das tendências naturais, do exagero, impulsividade e outras características de quando gosto de alguém. Mas sentir ainda não é o tipo de coisa que consigo controlar (nesse caso, por sorte?). Afim de concluir algo mais racional e menos emocional, me engano que, em tal circunstância, a segurança de uma lógica ainda fosse possível e fico sem nada ou (apenas) com tudo. Até que me deparo inevitavelmente com"x" da questão, que é o que verdadeiramente importa entre duas pessoas: o que se sente pelo outro, que em mim se afirma no desejo que sinto de você. Isso foge a mim, volta, como consciência indiscreta, foge e volta, num movimento transgressor. E não tem a ver com romantismo, ou talvez tenha um pouco, mas mais ainda com uma realidade escancarada onde muitas vezes se apresenta a mim, numa agradável surpresa de uma lembrança "banal" do dia a dia, por exemplo. Que entre olhares, encontros e "eu ter você", vice e versa, existe uma coisa que eu chamaria de “manusear com os olhos”, num ato que eu poderia afirmar ser tão sensual quanto singelo visto daqui.
Diante de tudo, como marca indiscutível, me afeta em muitas áreas do sentir, fazendo tempestade; seja em metáforas ou com as próprias mãos, mas tudo com uma certa beleza que não posso negar que você me inspira. Contudo, tenho em mim a necessidade de esgotar as coisas, incluindo sentimentos, até agora, que me deparei com outro tipo de inspiração: que ao mesmo tempo se esvai e não quer que acabe. A isso, tenho chamado de amor e de fato amado, experimentado, indiscutivelmente vivido. Portanto, não posso concluir essa carta, para me manter, na medida do possível em certa coerência. Posto que tenho como característica mais forte que eu o esgotamento das minhas questões, uma excessão se destaca, muito mais fora do meu controle. Não vou me empenhar em achar um final para essa carta, pois não tenho pretensão em exaurir o assunto senão desfrutar do que é e vier.
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Off
(Eu deveria estar alguma coisa que não estou. Fica as vezes a sensação de que “escrevi” ou disse alguma coisa, ou de um modo, que a minha vontade é apagar tudo. E quando “rasuro”, a sensação é ainda mil vezes mais terrível. Meu deus o que estou fazendo??? Todo esse gosto no meio do “estou vivendo”, e de todas as coisas estão os meus erros, sobrepostos os meus acertos; um desenho tão feio que não posso me perdoar por tamanha falta de beleza com aquilo que é meu e sou eu. De qual forma for, sou empurrada pra frente a viver, com cara de quem bebeu algo amargo, mas isso não importa, vai-se.)
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Dentro do dentro
Nunca tinha encarado a "beleza" de frente.
Parece batida lenta de música
e que depois mais forte, e cada vez mais forte, mais forte...
- Por favor me destrua!
Lembrando da esfinge, grito dentro.
São delírios,
tão certos e decisivos quanto os olhos,
- como tem coragem de me olhar assim? Como pode?
Eu não tenho outra alternativa senão te amar.
De repente,
sem essa noção de tempo,
é só a única coisa que sou.
O mundo não existe e eu cara a cara com “tudo”.
E no gozo de todas as horas,
banalizo.
Como quem pisca rápido os olhos
e sacode a cabeça de uma vertigem
(mas eu sei o que eu vi).
Escutando First Song For B - Devendra Banhart
segunda-feira, 26 de março de 2012
No mundo dos estranhos só tem seres humanos
Estranho cuidado de ser, justamente porque “ser” não é para si. Então somos estranhos, bobos, burros, querendo alcançar uma coerência entre o que acredita e o que quer que o outro veja – porque sempre se quer.
- Ei, isso que você está vendo de mim é algo inconscientemente, cuidadosamente o que eu sou pra você e é de coração! Até que o primeiro desentendimento, óbvio, desnorteia. Então já decidi, não vou ser porra nenhuma e nem quero que sejam pra mim. Acho a maior prova de amor: não ser nada.
sexta-feira, 23 de março de 2012
Eus e eles
Dizia: eu sou intepestuosa, ansiosa, amorosa...e um eco se expandia imediatamente. Ela se calava. E então era um eco interno, mas ainda um eco.
sábado, 25 de fevereiro de 2012
O clímax de um cansaço
...é que tem tanto mundo dentro de mim que estou "estragada". Mas isso não é o pior, mais grave é estar pensando por essas vias tão "humanas": querer uma salvação pra cada problema, amar e doer na mesma linha, entre tantas outras convenções do mundo desesperado, do qual se faz parte em via de mão dupla, onde muitas vezes o maior benefício recebido é cansar-se para manter-se vivo.
Apesar de tudo nessa vida ser um pouco (ou somente) elaboração, falo de um "corte" na pele que existe, sangra e dói. Falo por concepção própria, tão funda quanto a ferida que arde. O que chama-se "profundo" no mundo dos homens que já nem lembram mais por que estão dizendo mas falam com propriedade antiga, soltando a torto clichês que fogem, por exemplo, da profundidade apenas “física” da questão. Como é difícil digerir o estado tal de consciência, que é uma viagem sem fim: essa bestial maneira de viver por vezes, que também é vida, esse sacrifício sorridente do dia a dia; nele também corre sangue, essa espera interminável, sufoca, porém, ainda é vida; justamente por se afirmar através da dificuldade de respirar. Acontece que isso tudo me incomoda demais. Não pelo desconforto em si, mas principalmente por ser obrigada a aceitar que tudo isso, sim, também é vida!
(Não esquecer de quando trocar de bolsa pegar o cartão do banco, ver o saldo, trabalhar e esquecer da conta que com certeza ainda não foi depositado o dinheiro...)
Apesar de tudo nessa vida ser um pouco (ou somente) elaboração, falo de um "corte" na pele que existe, sangra e dói. Falo por concepção própria, tão funda quanto a ferida que arde. O que chama-se "profundo" no mundo dos homens que já nem lembram mais por que estão dizendo mas falam com propriedade antiga, soltando a torto clichês que fogem, por exemplo, da profundidade apenas “física” da questão. Como é difícil digerir o estado tal de consciência, que é uma viagem sem fim: essa bestial maneira de viver por vezes, que também é vida, esse sacrifício sorridente do dia a dia; nele também corre sangue, essa espera interminável, sufoca, porém, ainda é vida; justamente por se afirmar através da dificuldade de respirar. Acontece que isso tudo me incomoda demais. Não pelo desconforto em si, mas principalmente por ser obrigada a aceitar que tudo isso, sim, também é vida!
(Não esquecer de quando trocar de bolsa pegar o cartão do banco, ver o saldo, trabalhar e esquecer da conta que com certeza ainda não foi depositado o dinheiro...)
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Porto
:pode ser “momento”, que ao mesmo tempo pequeno – diminuído - é a coisa mais urgente – e sempre mais urgente – que se pode sentir. Ao mesmo tempo menor, ao mesmo tempo a maior e mais importante coisa do mundo. E dessa coisa, sem verdade absoluta, sendo tudo e ao mesmo tempo “coisa que passa”, aquilo que se tem certeza - mesmo essa sendo inexistente, já que estamos falando de pessoas e o que tem dentro delas. E eu digo que “estou certa disso!”.
não me deixa olhar pra frente,
não deixa que hoje acabe
mesmo eu já acostumada a morrer
A sorte é poder reinventar, é poder sentir que “está tudo bem agora”, são as únicas coisas que a gente tem na vida: morrer e viver.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
O que não tem no dicionário
Aquele que desperta um arrebatamento, único e inominável, que quanto mais sem nome mais intenso e grave, na voz e na forma. Que faz borbulhar como coisa dentro da panela em fogo alto; e que de certa forma está mesmo fervendo. Que não se tem palavras, mas um corpo inteiro a flor da pele demonstrando um tanto que, na maioria, não se pode controlar o que fica exposto. Que é anseio não por aflição, mas por ser mais uma das coisas a incluir-se entre as vírgulas do que causa. Que através do toque, estalam partículas adormecidas, tendo a cara de pau de permitir que uma coisa assim aconteça, por exemplo, no meio da tarde. Aquele que carrega um nome e nele tudo a que atribuo e culpo, docemente, pela minha loucura. Você.
Escutando Justin Vernon - Liner
Escutando Justin Vernon - Liner
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Descobrindo o que é rir pra não chorar
Ainda tenho traços de ímpetos infantis. Me vêm quando estou desejando algo, ardentemente. Tenho medo por isso pois perco a noção racional e pressinto o quão perigoso é ter em mim somente o sentimento, mais nada. O emocional puro, sem palavras pra explicar ou apenas duas: eu quero. E desse modo me ocorreu chorar, por coisas só minhas e que por isso até me dói ouvir o barulho das teclas, entende? Deixar que pese sobre mim e que transborde em lágrimas o vazio, da espera de tantas coisas que desejo e não vem. E depois de chorar, a vida seria a mesma coisa sempre. As mesmas páginas amarelas. Me fazendo sempre pensar que não adianta nada me derramar em lágrimas, mas também que não se chora para resolver a vida. E com tantas perguntas e indagações, mas poucas respostas, talvez eu devesse mesmo me por a chorar, mas é nesse momento que me ponho a rir.
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Está escrito
Algumas pessoas acham Felícia quieta demais, pouco fala, mas se indagada demonstra estar inteiramente prestando atenção no assunto. Outras pessoas dizem que Felícia as vezes deveria guardar certos pensamentos para si ou talvez reduzir, enxugar mesmo o que for dizer. Como aqui ela nasceu, no mundo, a tal “cartilha” social é levada em consideração toda vez que se pega pensando duas vezes em tomar atitude em relação a alguém, geralmente em situação e com pessoa que realmente lhe importa. Só que isso tudo fica confuso pra ela saber qual a devida maneira, a mais prudente, a mais elegante, a menos lancinante de agir, o que significa saber o que falar ao outro. É um engole sapo, um engasga daqui outro dali e quando vai ver está vomitando da pior forma ou se calando quando deveria despejar e se esvaziar. Felícia, que é escritora e adora ler, passa muito tempo com as palavras e já chegou a achar que elas são muito melhores do que pessoas, talvez totalmente melhores, se não fosse para as pessoas que as palavras foram feitas, além de terem sido criadas pelas próprias. Ela pensa até numa revolução da comunicação, numa renúncia as palavras, mas se deu conta que a única forma que lhe basta para dizer tudo sobre esse disse me disse sobre, sobre como ela é e o que é certo expressar ou não, é com as palavras e pensou com ela mesma: ao menos posso escrever e poupar do esforço da boca e dos ouvidos.
domingo, 18 de dezembro de 2011
Nota interna (muito interna) ou intimidade de alguém que não sou eu mas de certa forma é, mas de certa forma não é
Não sei se posso chamar de honestos os sentimentos que vem me tomado in-tei-ra. Talvez isso importasse, se não fosse pela intensidade e arrebato desse avalanche - o palpitar e a elevada temperatura do corpo já perceptível, constrangedor. Como um afogamento de conclusões tiradas dentro da minha própria cabeça; minha imagem tendo que ser preservada (a grande custo) para assim não passar como louca, fica difícil manter a tempestade dentro. Verídicos os pensamentos ou não, com ou sem fundamento, o único fato sazonado é que: não os quero. Essa aflição de quem não pode afirmar mesmo quando no interior aquele tumor já se tornou, já cresceu e agora existe. É duro viver, pois se tem o vício dos pensamentos. Eu queria apenas pensar e no entanto, sofro, sem saber forma de parar o que eu já inventei uma vez, dando voltas, assombrando, controlando para não expor e me perdendo entre o que falo e calo. Estou perdida na ordem dos fatos (ou fragmentos) e por isso me esquecido que te amar deveria ser sempre agora.
O que eu tenho visto como absurdamente grande, não sei medir ao certo, pois não tem pontas e a isso atribuo meu desnorteio e o tamanho/imensidão do medo. São muitas linhas que se cruzam numa vertigem minha, só minha, num louco “apreço” aos meus devaneios, fica as vezes difícil contar pra quem quer que seja, a não ser eu mesma lutando e em silêncio. Entretanto, absurda mesma é a nudez que representa o encontro de duas pessoas, encontro esse, que não há como negar a grandiosidade (ou gravidade) do fato se nos sentirmos únicos, dois. E aqui chegamos no ponto, não sei o que fazer com a minha sorte. Meu quinhão, a única e primeira verdade antes de toda a insegurança, que começa em você e termina em mim e vise e versa.
Como se fosse fácil não enlouquecer.
Escutando Cat Power - He War
O que eu tenho visto como absurdamente grande, não sei medir ao certo, pois não tem pontas e a isso atribuo meu desnorteio e o tamanho/imensidão do medo. São muitas linhas que se cruzam numa vertigem minha, só minha, num louco “apreço” aos meus devaneios, fica as vezes difícil contar pra quem quer que seja, a não ser eu mesma lutando e em silêncio. Entretanto, absurda mesma é a nudez que representa o encontro de duas pessoas, encontro esse, que não há como negar a grandiosidade (ou gravidade) do fato se nos sentirmos únicos, dois. E aqui chegamos no ponto, não sei o que fazer com a minha sorte. Meu quinhão, a única e primeira verdade antes de toda a insegurança, que começa em você e termina em mim e vise e versa.
Como se fosse fácil não enlouquecer.
Escutando Cat Power - He War
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
O copo, meu mundo, minha tempestade
Dentre os meus quereres, como forma de sobrevivência: quero poder desdizer tudo aquilo que disse e quero manter a calma de estar no meio da vida sem explicação. Mas de repente tenho 23 anos, a vida seguindo na velocidade do meu desespero, tendo que construir meus próprios castelos e ainda lidar com o fato de não saber nada cada vez que eu sei alguma coisa, porque é assim que funciona essa máquina do tempo, indo sempre pra frente, nunca pra trás. Preciso controlar minha euforia da busca de uma calma que eu desconheço, e que é justamente a calma de desconhecer. A dureza da realidade não tem me permitido metáforas, quando azeda, é porque realmente está azedada. As tristezas tem sido tão reais, que são apenas tristezas, nada de poesia, nada de achar graça nas desgraças, apenas a seriedade que é a grande morte silenciosa das pessoas, como consequência de uma exigência traiçoeira. Eu tenho medo do que o mundo está fazendo comigo, do que vem fazendo com as pessoas e novamente do mundo.
domingo, 13 de novembro de 2011
Sertão de mim
Estou num estado em que já nasci sabendo o nome das cores, quando na verdade cada uma delas me foram ditas até que eu as aprendesse: céu, maçã, com ou sem gosto, brancas ou pretas.
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Um dia no amor
Como se não soubéssemos
que são quatro olhos e duas bocas,
encaramo-nos.
E na sua boca tem minha vontade,
nos seus olhos sua fome,
me come.
Dentro de um silêncio
mantra,
uma paz que eu não sei rezar,
perdoai-vos eles não sabem o que fazem
e por não saber
vemos,
cheiramos,
lambemos,
beijamos,
mordemos,
sentimos,
e até sofremos.
Ouvindo Rosa - Devendra Banhart
domingo, 23 de outubro de 2011
O pão nosso de cada dia nos dai hoje
Escrevo não por gula, é com o vazio de uma fome. O pensamento vai tomando, comendo as linhas. Estive (estou) enfastiada, mas mais tarde virá outra fome e sempre virá a fome. Amém.
terça-feira, 18 de outubro de 2011
Sendo
...e mesmo passando dias do ano que não acaba nunca mais, existe uma proteção prudente de minha parte quanto ao o desânimo fatigante que tenho sentido, ocorre que essa coisa é tão profunda, como um buraco sem fim de uma ferida aberta, que eu não posso com ela. O cansaço portanto, é a própria prudência de não me deixar ir além e ver o chão dessa ferida. Prefiro desconhecer tal horror, mesmo que o espelho tenha a minha cara. Entre tantas pessoas de narizes em pé - um cansaço infinito de ser muitas vezes "obrigada" a trocar palavras com elas, entre o ônibus que quando você quer e precisa, ele nunca passa e desfilam na sua frente os que você não quer e não precisa, entre o dinheiro, a conta bancária as dividas somadas aos sonhos e o resultado que diminui, reduz e até anula meus planos, um cansaço. Mas me canso pra me manter viva. É isso? não sei...não sei...
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